7 de março de 2012

Esgueirou-se rumo ao céu, esticou a coluna. Precisava que alguém cedesse aos seus temperamentos intempestivos.

27 de fevereiro de 2012

o fim da noite nunca chega, o que chega é a noite estar no fim. tudo se prolonga nas linhas do tempo, postos aos olhos da minha cabeça, mesmo quando os abandono.

11/12/2012
O Sol insiste em nascer antes de mim. Se pudesse, estaria à janela esperando, para cair no mar cedo!, e aproveitar a manhã para fazer das tardes algo diferente. Mas sozinho o tempo se repete, se repete, se repete, e a inventividade brinca com as milhares de possibilidades que se igualam na solidão.

6/1/2012

2 de fevereiro de 2012

como eu flutuo, em sonhos, entre os lixos espaciais, também aqui na terra esbarro em fragmentos de coisas que flutuam, e devem enviar informações, sabe-se a quem, ou lá aquém, onde não vejo, para um futuro místico, entre o eu e a realidade, entre meus sonhos e as minhas coragens, e especialmente entre o meu amor e a solidão e a dura realidade. tantas fábulas cujos animais não me dão bola, e permanecem mudos. preferia a minha loucura ser um segredo, ou um charme, uma dúvida, um erotismo, um risco, uma piscada, um atrativo dentre tantas facilidades. Ser assertivo arrasa quem tem dúvidas... E a minha mente confusa pouco se interessa pelas histórias escritas, tão certas, em que foram só aquilo, ou quase nada na minha imaginação atribulada de mim mesma. Tantas dúvidas colocadas diante a calma de ser e a possibilidade de ferir, tantos caminhos entre descansar e enlouquecer, tantas besteiras de preocupar-se. quantos caminhos não se perdem em não acenar? como é difícil prestar atenção à natureza de não prestar-se à atenção...

2 de janeiro de 2012

a tristeza espreita a minha certeza altiva. ando pelas ruas sem medo do acaso. E o acaso, sem medo de mim, ainda que se aproxime armado, me cumprimenta antes de me desaforar. Eu caminho solta com um respeito incurvado ao invisível, como o deus que sou, pronta na minha inteireza de ser inescapável a mim mesma. a mim só me resta ser o que sou. não há nenhuma possibilidade externa a mim de me ser: só eu nas galáxias respondo o que respondo, só eu sinto o que sinto, só eu posso o que posso, e só eu amo como amo. Gabo-me aos céus a minha boa índole, a minha paz, o meu bem, os meus olhos e a força da minha vontade. Sigo como só eu poderia seguir. No fundo, em casa, quando choro, só eu sei a solução, só eu sei o porquê, e só eu posso construir o futuro. Para além disso, deifico o amor, e como é difícil alcançá-lo, envolvo-me em paquerá-lo até que ceda

(22/09/2011)

11 de dezembro de 2011

Curvo-me, muito além da linha do horizonte. Meu cheiro inebria os meus pensamentos de amor. Que saudade, Luiza! quanto tempo os seus hábitos..! quanto tempo o seu equilíbro. Ao longo dos alongamentos, uma sensação nova nos meus músculos antigos, tão sabidos, uma lembrança gostosa. Muita luta são inauguradas às marés dos aniversários. A lua parece uma benção quando tudo está fora de lugar: só ela existe de um tempo em que tinha sido mais tempo. Lavei as 24 horas muitas vezes; encolheu. E a realidade da sensação é na verdade o tempo de mim, que perco. Cada vez mais, mais atitudes requerem menos decisões, mais escolhas requerem menos escolhas, quanto mais queijo, menos queijo. No contrapasso, acumulo de assuntos, esqueço-os, sobe a maresia pelas pernas da minha memória. Por que seria preciso despertar quando todos dormem? Seguir em frente é sempre um desafio.

21 de novembro de 2011

não é da noite que tenho medo. tenho medo da solidão. sinto medo do que acontece quando o medo chega, sinto medo do silêncio. Tenho medo de mim, porque me sinto saudade, me crio expectativas. Sinto medo da diferença entre o silêncio de um só e o silêncio de dois. O medo é a falta de prática. O medo do medo é falta da meditação. Medo de ser feliz.

15 de outubro de 2011

Amor é bicho instruído
Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore
em tempo de se estrepar.
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que escorre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã.

Carlos Drummond de Andrade


sossegue coração
ainda não é agora
a confusão prossegue
sonhos afora

calma calma
logo mais a gente goza
perto do osso
a carne é mais gostosa
Paulo Leminsky
Os vincos de sua testa são o abismo da nossa história. A primeira curva surgiu aos 27, desde então há sempre cada vez mais sombra no seu rosto, nas suas impressões, no que ele quer dizer.

11 de outubro de 2011

Seu sutiã rendado coça a base do meu pescoço. Como ela é toda bege, me pergunto se não é do próprio peito a renda, se não é da própria vulva o pudor. Nem as unhas ela pinta de outra cor, eu a perco nos lençóis. O sol a explode, não sei se vem antes a pulverização ou o êxtase. E é essa sua qualidade bege que a impregna em tudo sem eu perceber, quando ela vira pó.